Nas ruas e urnas
November 2, 2008 by matadourothe blues
October 31, 2008 by matadouroCom tanta compreensão, respeito e amor pude ter de novo aqueles ombros que suportam o mundo para pedir-lhes desculpas por tanta relapsidade minha.
E de todas as tristezas, dela só pude sentir falta de não poder compartilhar aquele pacote de jujubas.
Seu presente para perdoar o erro meu.
Parafraseando
October 30, 2008 by matadouro“Que vão-se os dedos contanto que fiquem os anéis.”
quando penso que desisti da poesia.
October 28, 2008 by matadourodans un autre pays.
afternoons downtown
hiding from the world in some
tiny hole on the ninth floor.
the sun caresses our skin
i’m under you-blanket,
because you opened the window.
half of you smokes a cigarette,
and the other half is mine.
evenings come through,
as i’m finally in your arms
as briefly as you are.
you worry that i’m staying
for too, too long
and i say it’s just a monday
like every other monday and if i
leave
you’ll be alone.
but the mornings at your place,
smoky and warm,
like your peach green tea
crumbling on your bed
you and i and
your son
and your sesame seed crackers and
my boy and
your ex wife
and my tears, your chet baker.
Ao telefone.
October 24, 2008 by matadouroSem história oficial
October 18, 2008 by matadouroÉ depois de um dia repleto de pequenos (aqui fica a ironia e o rárárá) fracassos, pensei nas sóbrias conversas com especialistas em futuros fracassos e tirei a madrugada pra pensar no feito, nessa corrida espacial-nuclear uma vez que não há espaço no planeta para certos tamanhos de ego.
Prestes a desistir de um futuro sem futuro pelo qual lutava sem tentar me abater com as viagens perdidas por culpa do dinheiro investido na incerteza, para outro mais promissor como morar embaixo da ponte do Arroio Dilúvio e lá construir uma casa, uma plantação, uma cadeira de balanço pra cuidar de umas vaquinhas, ovelinhas e afins, havemos de pensar nos ocorridos e resolver de uma vez por todas os perrengues com a massaraça cheia de traçahumana.
2h25min. sem sucesso.
Permanece a lembrança do crachá, das dezenas de anotações, leituras + entendimentos prévios sobre o tema, gravador, fitinha k7 gravada-regravada-trevada, das perguntas bem formuladas, das considerações e anotações mentais sobre o lado esquerdo e da lembrança sobre o esquecimento das tarefas centrais para esperar, esperar e ter meus 2000 caracteres trocados por cerveja com bolinho de bacalhau em downtown.
Mas não me sai o cheiro daquela mulher pra quem ontem perguntei por que, pra onde, de onde vinha toda aquela gente que em fila não dava pra ver onde começava nem onde terminava. E por não desviar meu caminho que finalizava em alguma mesa amarela patrocinada pela Skol pra segui-la e bater a cara pra ser mais leve o soco de hoje, de amanhã e de depois que aquele cheiro impregou.
Lembrei que fronteira era uma palavra que, como estória, deveria ser rechaçada e sumir no limbo das palavras que só pretendem existir.
Ocorrência: F. Ivanoff – T. 72
October 11, 2008 by matadouroDescrição: O aluno Fernando Ivanoff, após incomodar o professor (fato que vem ocorrendo desde o início do ano letivo) e ser mandado para fora da sala de aula (fato que vem ocorrendo desde o início do ano letivo) como punição por estar atrapalhando não só o professor, mas a classe inteira, decidiu rondar a sala durante o período da aula de História. O aluno permaneceu no pátio, em frente a sala, correndo pela grama, proferindo palavrões e se pendurando nas janelas. Pelado.
I could spit on a stranger.
October 2, 2008 by matadouroAh! O terraço do oitavo andar com vista para o mar
September 26, 2008 by matadouroNoter: a chave
September 22, 2008 by matadouropara cummings?
Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava.
Confesso que não sei gostar de poesia. Ela sempre tende a me parecer falsa, forçada e desprovida de significado. Das poucas que consigo ler, no tédio do quarto, quando puxo algum livro recheado delas e leio versos aleatoriamente, já tentei entender o porquê. Desisti. Ontem me senti na obrigação de reler A Procura da Poesia, poema que tive a infelicidade de declamar em épocas de escola naquele enorme salão onde uma semana mais tarde viria a me formar e que, sempre que toca meus olhos, o entendo diferente. Mais, eu espero. Li e lembrei daquele outro em que, também em eras de ensino médio, li pro meu grupo de trabalho em sala de aula e não consegui terminar. As caras de tacho e surpresa dos colegas me faziam soluçar mais enquanto lia ei-la, a hora pequena/que desprevinido/te colhe sozinho/na rua ou no catre/em qualquer república;/já não te revoltas/e nem te lamentas,/tampouco procuras/solução benigna/de cristo ou arsênico,/sem nenhum apoio/no chão ou no espaço,/roídos os livros,/cortadas as pontes,/furados os olhos,/a língua enrolada,/os dedos sem tato,/a mente sem ordem,/sem qualquer motivo/de qualquer ação. Inevitável. Entrei na paranóia da música ser poesia. Pensei que não, pensei que sim. Não tenho cacife pra decidir, mas quando escuto uma música que nem gosto tanto pra escutar uma única frase, que nem devo entender direito, que nem faz muito sentido, somente soa bacana, tenho certeza que é poesia sim. She was born in spring, but I (pausa) was born too laaaaate. Acho que meu desgosto vem do fato de as pessoas se esconderem na poesia por acharem que ela lhes dá uma máscara de nobreza que elas simplesmente não têm. Vem do exemplo um dos últimos poemas – embora eu julgue que não posso chamá-lo assim, mas vamos lá – que li. É por ele que resolvi repensar todo esse conceito que não tenho. Provavelmente me seja simplesmente insuportável quando resolvem escrever sobre algo que já se sabe da mesma maneira que já se sabe. Sem em nada acrescentar. Acho que da poesia espero aquela pureza completamente impura, suja mesmo. E que agora talvez me dê conta de que o que há de comum entre aquelas que aprecio seja exatamente o que diz naquele primeiro poema que tenho lembrança, que me foi lido na biblioteca da escola, sobre furar o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. Acho que andei viciada no Cummings, andei cheia de orgulho do amor que sentia. Era bonito e completo e o Sr. Edward ajudou. Ajudou mesmo eu ficando três horas tentando pegar tudo que apenas alguns versos queriam dizer. Suponho que nunca conseguirei, mas válido foi. Aposento o Cummings, me prendo em dissertaçõezinhas sem importância, completamente sem gosto como essa. Não perdôo, embora compreenda: mamãe mesmo era uma poetisa fracassada.


